quinta-feira, 14 de abril de 2011

Inspirado nos versos do saudoso Jaime Caetano Braum, em sua poesia Arroz de Carreteiro, trago uma receita desta comida típicamente utilizada pelos carretiros no tempo das tropiadas.


Para inspirar quem sabe um almoço de sábado, seguem os versos de Jaime e uma receita deste delicioso prato gauchesco.

Arroz de Carreteiro

Nobre cardápio crioulo das primitivas jornadas,
Nascido nas carreteadas do Rio Grande abarbarado,
Por certo nisso inspirado, o xiru velho campeiro
Te batizou de "Carreteiro", meu velho arroz com guisado.

Não tem mistério o feitio dessa iguaria bagual,
É xarque - arroz - graxa - sal
É água pura em quantidade.
Meta fogo de verdade na panela cascurrenta.
Alho - cebola ou pimenta, isso conforme a vontade.

Não tem luxo - é tudo simples, pra fazer um carreiteiro.
Se fica algum "marinheiro" de vereda vem à tona.
Bote - se houver - manjerona, que dá um gostito melhor
Tapiando o amargo do suor que -
às vezes, vem da carona.

Pois em cima desse traste de uso tão abarbarado,
É onde se corta o guisado ligeirito - com destreza.
Prato rude - com certeza,
mas quando ferve em voz rouca
Deixa com água na boca a mais dengosa princesa.

Ah! Que saudades eu tenho
dos tempos em que tropeava
Quando de volta me apeava
num fogão rumbeando o cheiro
E por ali - tarimbeiro, cansado de bater casco,
Me esquecia do churrasco saboreando um carreteiro.

Em quanto pouso cheguei de pingo pelo cabresto,
Na falta de outro pretexto indagando algum atalho,
Mas sempre ao ver o borralho onde a panela fervia
Eu cá comigo dizia: chegou de passar trabalho.

Por isso - meu prato xucro, eu me paro acabrunhado
Ao te ver falsificado na cozinha do povoeiro
Desvirtuado por dinheiro à tradição gauchesca,
Guisado de carne fresca, não é arroz de carreteiro.

Hoje te matam à Mingua, em palácio e restaurante
Mas não há quem te suplante,
nem que o mundo se derreta,
Se és feito em panela preta, servido em prato de lata
Bombeando a lua de prata sob a quincha da carreta!

Por isso, quando eu chegar,
nalgum fogão do além-vida,
Se lá não houver comida já pedi a Deus por consolo,
Que junto ao fogão crioulo,

Quando for escurecendo, meu mate -amargo sorvendo,
A cavalo nalgum tronco, escute, ao menos, o ronco
De um "Carreteiro" fervendo. 
(Jaime Caetano Braum)


Vamos a Receita - Ingredientes para 5 a 6 pessoas
 
- Charque - 500 gramas;
- Arroz - 3 xícaras;
- Óleo - 1 colher de sopa;
- Sal - à gosto;
- Alho - 4 dentes;
- Cebola - 3 médias;
- Pimenta - à gosto;
- Manjerona - à gosto;


Modo de Preparo

Preparo do charque: picar em cubos pequenos e de salgar, para isso deixe de molho na água da noite pro dia, trocando uma vez a água, ou em uma panela, ferva o charque, sem acréscimo de água, somente tirando o excesso de água que o charque vai largar;

Após, ou durante o "ritual" de de salga do charque, descascar e picar os dentes de alho e as cebolas, em cubos, e reservar;

Em uma panela de ferro, bem quente, acrescentar o óleo, e fritar o charque, se o charque for magro pode se necessário acrescentar um pouco mais de óleo. Depois de fritar o charque, acrescentar o alho e a cebola e deixar dourar; 

O passo seguinte é acrescentar o arroz, e fritar por uns 5 minutos, sempre em fogo alto; Na sequência acrescentar água fervente, deixando de 2 a 3 dedos acima do arroz, e diminua o fogo; 

Experimente o sal, se necessário acerte o sal, acrescente uma pitada de pimenta (à gosto), e acrescenta Manjerona picada (à gosto).

Tampe a panela e deixe cozinhar até secar toda água acrescentada, cuidando também o ponto do arroz;

Vale lembrar que no verdadeiro Arroz de Carreteiro o arroz deve ficar bem cozido e soltinho, nada de "molho" neste prato.

Um forte abraço a todos!!!
Marco Antônio (Tonho)

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